Muitos de nós já experimentámos a sensação de investir em novas peças de decoração ou até
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Efeito catedral: pode o pé-direito de um espaço influenciar a nossa concentração e criatividade?
Mesmo os ases da produtividade durante os dias mais caóticos no escritório relatam variações na sua capacidade de se concentrar. Há dias e dias. O mesmo se aplica à criatividade. Quem nunca experimentou bloqueios criativos e procurou várias dicas para superá-los? Será que uma pequena mudança no nosso espaço de trabalho poderia realmente ajudar a evitá-los?

A perceção que temos do pé-direito (altura) de um espaço pode impactar a nossa capacidade de realizar uma série de tarefas de forma ideal.
Intuitivamente, sabemos que inúmeros fatores internos e externos podem determinar ou afetar a nossa capacidade de desempenhar o melhor possível e lidar facilmente com as tarefas que temos em mãos. Talvez alguns de nós até tenham experimentado auscultadores com cancelamento de ruído na tentativa de reduzir o barulho de um escritório em open space, que diminui a nossa capacidade de fazer cálculos mentais ou responder de forma coerente a um e-mail importante. Ou já pedimos várias vezes à equipa de manutenção para ajustar a temperatura interna porque ninguém realmente consegue concentrar-se na reunião de planeamento semanal enquanto congela lentamente dentro de uma sala de reuniões fria.
Talvez até já tenha experimentado uma infinidade de truques para melhorar a sua produtividade no trabalho, mas nunca tenha pensado em brincar com a altura do teto. Sim, leu bem: nos últimos anos, vários estudos têm mostrado que esta característica pode realmente influenciar o quão eficazmente podemos lidar com uma variedade de tarefas diferentes.
Como o nosso cérebro percebe a altura do teto
Em 2007, um grupo de investigadores de Oxford publicou um estudo intitulado “The Influence of Ceiling Height: The Effect of Priming on the Type of Processing That People Use”. O estudo descobriu que aqueles que trabalhavam em salas com tetos mais altos chegavam mais rapidamente a soluções criativas, enquanto aqueles em salas com tetos mais baixos se saíam melhor na resolução de problemas analíticos e lógicos.
Estas descobertas, apoiadas por subsequentes exames de ressonância magnética, inspiraram o designer William Lidwell a apelidar este fenómeno de Efeito Catedral [1], numa comparação com as catedrais europeias da Idade Média, extremamente altas, conhecidas pela sua capacidade de fomentar o pensamento abstrato e conduzir à contemplação do divino.
Os nossos cérebros associam tetos mais altos a uma sensação de liberdade e expansão [2]. Agora, pense como isso pode ser revolucionário se aplicado aos nossos escritórios e espaços de trabalho. Podemos efetivamente usar a altura do teto para otimizar subconscientemente o nosso desempenho no trabalho, de acordo com o tipo de tarefa que temos em mãos.
Se está a pensar que isso não se aplica ao seu caso porque o espaço é alugado ou não o pode alterar significativamente, não se preocupe, as dicas seguintes também têm isso em consideração! A mente humana responde à perceção que tem da realidade e não à realidade em si.
Tetos mais baixos para mais concentração
Os participantes dos estudos já mencionados saíram-se melhor em problemas analíticos e lógicos sob tetos com cerca de 2,45 metros de altura. Precisa de analisar dados para o relatório trimestral da sua equipa? Escolha uma sala com teto mais baixo ou crie um espaço designado para tais tarefas com um teto falso rebaixado. Se ambas as opções estiverem fora de questão para si, pode experimentar o seguinte: (lembre-se: a perceção é tudo!)
- Considere luzes de teto que pendam mais abaixo;
- Adicione elementos e padrões horizontais às paredes (pense em padrões de papel de parede ou em peças de mobiliário baixas e maciças);
- Escolha uma cor mais escura para as paredes e teto (ao contrário do que muitas vezes se diz, a evidência não apoia que usar uma cor contrastante nos tetos faça muita diferença na perceção espacial, mas manter todas as superfícies mais escuras pode influenciar como nossos cérebros “leem” a altura de uma sala).
Tetos mais altos para mais criatividade
Por outro lado, tetos de cerca de 3,05m ou mais altos testemunharam melhores respostas a desafios criativos. Se o seu trabalho consiste maioritariamente em encontrar boas ideias para desafios enfrentados pelos clientes [3], opte por um espaço com teto mais alto ou até mesmo trabalhar no exterior (o céu é literalmente o limite!). Alternativamente:
- Use cores mais claras (ao contrário do foco e do pensamento lógico, a criatividade tende a florescer em espaços claros e luminosos). Concentre-se em paredes e tetos, já que a cor do chão parece ter um papel muito menor na forma como percebemos a altura do teto;
- Incorpore elementos e padrões verticais nas paredes (pode experimentar espelhos e estantes altas ou candeeiros de pé);
- Estenda a cor ou material da parede para o teto (para criar uma impressão de continuidade).